segunda-feira, 21 de março de 2011

Le Rouge et le Noir

Este post é dedicado à minha grande amiga Giseli Cabrini. Gi, obrigado pelas eternas revisões.



Para iniciar o ano, preparei um grande post sobre o livro “O Vermelho e o Negro”, uma obra-prima da literatura mundial, autoria de Stendhal. O livro narra a história de Julien Sorel tendo como cenário a cidadela fictícia de Verrières, localizada na região de Franche-Comté, durante o período pré-napoleônico.

Julien Sorel é uma das personagens mais intrigantes da literatura. Muitos o consideram um anti-herói romântico. Eu o analiso como alguém intrinsecamente humano, pois imagine nascer ambicioso, belo, inteligente e filho de um humilde carpinteiro na França do século 19, época na qual a ascensão social era algo bastante improvável. Julien Sorel não é bom, nem mal. Era apenas um jovem rapaz que desejava ascender socialmente.

O livro se inicia com o protagonista indo trabalhar na casa de Madame Renâl como professor de latim para o filho caçula. A paixão entre os dois eclode e logo os rumores do romance pairam sobre a cidade. Julien decide, prudentemente, deixar a casa e vai trabalhar em Paris como secretário do Marquês de la Mole. A filha do nobre, Mathilde de la Mole, se apaixona por Julien e, logo, engravida. Começam os preparativos para o casamento. Nesse período, Madame Renâl toma conhecimento desse matrimônio e, furiosamente, escreve uma carta para o Marquês contando a verdade sobre o empregado e classificando-o com um aproveitador das classes superiores. Ensandecido Julien volta para Verrières e atira em Madame Renâl dentro da igreja. Ela, no entanto, se salva e Julien perde perdão confessando que sempre a amou. Julien é condenado à guilhotina pelo crime que cometeu.


Madame Renâl - Mathilde de la Mole - Julien Sorel


O ponto forte desse livro é o triângulo amoroso formado por: Julien Sorel, Mathilde de la Mole e Madame Renâl. Julien abre mão do grande amor que nutre por Madame Renâl para se casar com Mathilde de la Mole, uma vez que sua amada já é casada e provém da burguesia provinciana. Por sua vez, Mathilde é filha de um rico aristocrata parisiense, solteira e o ama loucamente. Para Julien a união com Mathilde seria o trampolim perfeito para a sua ascensão social. Ele, portanto, fica dividido entre um grande amor e o desejo por ascensão social respectivamente representados por Madame Renâl e Mathilde de la Mole.

A disputa entre Madame Renâl e Mathilde de la Mole, infelizmente, leva o protagonista à morte. Julien sabendo da sua condenação e do louco amor que Madame Renâl nutria por ele, pede a ela para não se matar. No entanto, ela morre logo depois, de profundo desgosto abraçada ao filho. Solitária, Mathilde de la Mole enterra a cabeça de Julien no jazigo da família, fazendo visitas regulares à sepultura, assim como a Rainha Margot fez com seu amante que curiosamente se chamava “Joseph Boniface de la Mole”.

O porquê do nome “O Vermelho e o Negro

Existem controvérsias sobre o título do livro, muitos consideram como o “vermelho” da antiga farda vermelha dos franceses e o “negro” da batina dos padres, mostrando a dúvida de Julien no começo do romance: seguir a carreira militar ou a eclisiástica.
Outros consideram que o “vermelho” representaria a paixão e o “negro” a morte, temas frequentes do romance.

O autor

Stendhal


Henri-Marie Beyle (1783-1842), mais conhecido pelo pseudonimo de Stendhal.

Stendhal foi um dos maiores romancistas do século 19, o livro “O Vermelho e o Negro” fora lançado em 1830 e é considerado a sua obra-prima. Ele marca o início do realismo na literatura francesa, deixando de lado toda a tradição romântica em voga na época.

O escritor, infelizmente, veio a ser reconhecido como um grande romancista, cerca de cinquenta anos após a sua morte. Apenas o poeta Baudelaire e o escritor Balzac reconheciam seu talento, a crítica em geral não deu nenhum crédito a ele. Balzac chegou a declarar que Stendhal era seu escritor favorito e que a crítica francesa um dia iria dar o seu devido valor.

Não era fácil triunfar na literatura em pleno século 19, período o qual considero de ouro para a literatura, especialmente à francesa. Victor Hugo brilhava com “Os Miseráveis”, Alexandre Dumas lançava o “Conde de Monte Cristo” e Honoré de Balzac triunfava com a “Comédia Humana”, incluindo nessa obra os sucessos: “A Mulher de Trinta Anos”, “O Pai Goriot” e “Ilusões Perdidas”.


Para finalizar este post, segue abaixo uma bela frase do autor:

“O homem que não amou apaixonadamente, ignora a metade mais formosa da existência”.

Stendhal

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Casta Diva

Dedico este post para a minha amiga Fernanda Fávero que me deu uma ajuda na tradução, Fê obrigado pela força!



Na semana passada tive a grande oportunidade de ver ao vivo a Ópera Norma a qual considero uma das mais bonitas. Isso porque, logo no primeiro ato, é apresentada a canção Casta Diva que considero a ária mais linda de todas.


Fazia já algum tempo que não ia à ópera, desde Sansão e Dalila em dezembro 2008, e digo que foi um retorno triunfal.


Norma foi escrita por Vincenzo Bellini e teve a sua estréia no Scala de Milão em dezembro de 1831.


Vincenzo Bellini


A ação se passa na Gália ocupada pelos romanos, por volta do ano 50 a.C. e narra a história da sacerdotisa Norma.


A ópera se inicia com os druidas indo ao encontro dela para pedir permissão a fim de iniciar a rebelião contra os romanos. Norma pede que esperem para começar a batalha pois ela mantém um caso secreto com o romano Pollione tendo dois filhos em segredo dessa união.


Pollione se apaixona pela jovem sacerdotisa Adalgisa e essa revela à Norma o seu amor por ele. Furiosa, Norma revela a verdade sobre sua relação com o romano.


Norma, movida pela vingança, ordena o início da rebelião contra os romanos. Pollione é capturado e se prepara para ser morto pelo chefe dos Druidas. Norma intervém dizendo que ela mesma o fará, quando fica a sós com Pollione. Norma promete libertá-lo, desde que ele prometa partir sem Adalgisa. Pollione recusa a oferta.


Arrependida, ela confessa ao povo sua traição à pátria revelando o seu amor por Pollione e acaba condenada à fogueira. Pollione observa o heroísmo de Norma concluindo que não soube amá-la nem compreendê-la e decide acompanhá-la ao sacrifício unindo-a na morte.


A ópera finaliza com a morte de Norma e Pollione.




Engraçado observar como desde sempre o ser humano é incerto em seus sentimentos e age sempre por impulso. Os triângulos amorosos permeiam os relacionamentos. O amor é sempre fonte de intrigas e vingança.


Considero essa ópera uma obra romântica, pois foi escrita em pleno século 19, no auge do movimento romântico. Além disso, ela possui todos os elementos desse movimento: ode à natureza, patriotismo, amor não realizado e a morte como toque final à história.


Para finalizar o post, seguem abaixo a belíssima canção Casta Diva interpretada por Maria Callas e logo, em seguida, a letra e a tradução.




CASTA DIVA - Norma


Casta Diva,
Casta Diva, che inargenti
Queste sacre, queste sacre antiche piante
A noi volgi il bel sembiante,
A noi volgi,
A noi volgi il bel sembiante,
Il bel sembiante


Chorus

Casta Diva
Senza nube e senza vel!


Tempra o Diva,
Tempra tu de' cori ardenti!
Tempra ancor lo zelo audace!
Spargi in terra quella pace,
Che regnar tu fai nel Ciel.


Tradução


Casta Deusa,

Casta Deusa, que prateias

Estes sagrados, estes antigos ramos sagrados

A nós voltas o belo semblante,

A nós voltas,

A nós voltas o belo semblante,

O belo semblante


Coro

Casta Deusa

Sem nuvem e sem véu!


Acalma o Deusa,

Acalma tu dos corações ardentes!

Acalma também o zelo audaz!

Espalha sobre a terra aquela paz,

Que reinado tu fazes no Céu!


Vincenzo Bellini


sábado, 10 de julho de 2010

Bright Star

Este post é dedicado para minha amiga Olga Vallejo, cara Olguinha, espero que goste da homenagem.

Antes de tudo gostaria de me desculpar, meus caros leitores, pela demora em postar, pois ultimamente estava sem inspiração para escrever, até ver o filme “Brilho de uma Paixão”.



“Brilho de uma Paixão” relata a vida do poeta romântico John Keats, ambientado na Inglaterra do século 19 e brilhantemente dirigido por Jane Campion. O filme narra a história de amor de John Keats e Fanny Brawne de uma forma poética e delicada, mostrando um amor etéreo e platônico. O desejo carnal é sublimado pelo sentimento mais puro do amor; as cenas dos personagens se acariciando, o delicado beijo onde as bocas apenas se tocam é de uma sensualidade ímpar fugindo totalmente dos clichês românticos.


O filme é realmente lindo, não mostra somente uma história de amor, tem uma bela reconstrução de época, a trilha sonora minimalista que nunca chega ser invasiva e, sobretudo a poesia de John Keats que é belíssima. Este filme é um verdadeiro elogio ao amor e à poesia.



Um ponto a levantar é o sofrimento do amor romântico, parece que todos os românticos estão fadados ao sofrimento. John e Fanny não conseguem concretizar seu amor, pois o poeta não tinha recursos financeiros para formar uma família e novamente a morte que os separa, John Keats morre aos 25 anos vitimado pela tuberculose.


John Keats

Ao ver o filme, não pude deixar de fazer paralelos com o livro “Os sofrimentos do jovem Werther” escrito por J. W. Goethe, como um clássico da literatura romântica alemã, o protagonista da história Werther, não pode se unir a sua amada Charlotte, porque ela está prometida e posteriormente casa-se com Albert. Então o jovem Werther se mata por amor, o sofrimento do amor romântico em seu último grau até chegar ao suicídio. A morte é um tema constante no romantismo.



Outro ponto a acrescentar é com respeito à tradução, o título original do filme é “Bright Star” poderia ser traduzido como “Estrela Cintilante” que é o título de uma das poesias mais bonitas de Keats, mas infelizmente traduziram como “Brilho de uma Paixão” caindo em um clichê romântico, sendo o oposto do que se passa no filme, os tradutores deveriam respeitar a mensagem original ao traduzir.


Para finalizar este post, deixo abaixo um trecho da carta que John Keats enviou a sua amada Fanny Brawne e, logo em seguida, a tradução do poema "Bright Star".

Para Fanny Brawne, 1820

“Às vezes, temes que eu não te ame tanto quanto gostarias? Minha querida, eu te amo sempre e eternamente, sem reservas. Quanto mais conheci, mais amei. De todas as maneiras até meus ciúmes foram agonias de amor; no mais violento acesso que sofri, teria morrido de amor por ti. Já te atormentei demais, mas por amor! Posso evita-lo? Sempre te renovas. O último dos teus beijos sempre foi o mais doce, o último sorriso o mais luminoso, o último gesto, o mais gracioso. Ontem, quando passaste diante da minha janela, fiquei tão cheio de admiração como se te visse pela primeira vez”.

John Keats




Astro Fulgente


Fosse eu imóvel como tu, astro fulgente!

Não suspenso da noite com uma luz deserta,

A contemplar, com a pálpebra imortal aberta,

Monge da natureza, insone e paciente

As águas móveis na missão sacerdotal

De abluir, rodeando a terra, o humano litoral,

Ou vendo a nova máscara – caída leve

Sobre as montanhas, sobre os pântanos – da neve,

Não! mas firme e imutável sempre, a descansar

No seio que amadura de meu belo amor,

Para sentir, e sempre, o seu tranqüilo arfar,

Desperto, e sempre, numa inquietação-dulçor,

Para seu meigo respirar ouvir em sorte,

E sempre assim viver, ou desmaiar na morte.


John Keats

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

O Mais Romântico dos Ultrarromânticos

Lord Byron

Dedico este post para o amigo e poeta Fabrício Costa do blog: O Riso que Contrasta; um dos espaços mais interessantes da Blogosfera literária.

Para iniciar o ano e seguir a linha romântica do último post, não poderia deixar de mencionar o poeta o qual todos os românticos beberam de sua fonte: Lord Byron.


Difícil tarefa de escrever sobre o maior dos românticos; sem cair na mesmice. O poeta que encarnou o romantismo emotivo, sonhador, melancólico e desesperado.

VIDA


George Gordon Byron nasceu em Londres, em 22 de janeiro de 1788, filho de John Byron e de Catherine Gordon de Gight; ela descendente de Jaime I da Escócia, da Casa Real dos Stuart.

Formou-se pela Universidade de Cambridge e casou-se com Annabelle Milbanke. Até aqui tudo parece bem normal para um jovem rapaz da aristocracia inglesa, mas o poeta não se encaixava nos padrões aristocráticos da época, pois sua vida foi marcada pelo amor.

Aos sete anos, Byron se apaixonou perdidamente por sua prima, Mary Duff. Aos nove, sua babá o introduziu aos prazeres da carne. Com dez anos, envolve-se com Lord Ruthyn que o inicia no bissexualismo. Logo em seguida, se apaixona perdidamente por Mary Ann Chaworth, uma vizinha.

Em sua adolescência, envolveu-se com colegas, prostitutas, empregadas, professores, prostitutas e garotas que adoravam um título de nobreza.


Como um dos personagens dos seus poemas Lord Byron foi um verdadeiro Don Juan; teve inúmeras amantes: Mrs. Spencer Smith, Susan Vaughan, Lady Caroline Lamb, Clare Clairmont, Marianna Segati, Margarita Cogni e a Condessa Teresa Guiccioli. Manteve até um relacionamento incestuoso com sua meia-irmã Augusta Byron, causando um verdadeiro escândalo e servindo de causa para sua separação.

Impossível não mencionar a famosa passagem conhecida como o encontro dos Newstead. Ao comemorar a colação de grau, Byron e um grupo de amigos tomam vinho em uma taça feita de um crânio humano. Ao fim da festa, o moço não se conteve e escreveu um poema sobre a “taça”.



Igualmente polêmico foi seu apreço por Napoleão Bonaparte. O poema “Ode a Napoleão Bonaparte” causou certo desagrado junto aos seus compatriotas. Byron também foi um dos primeiros a descrever os efeitos da maconha. Além de suas viagens pelo Oriente, Itália e Grécia que ajudaram a criar e disseminar o mito “byroniano”.



Após uma vida de excessos, relaxações e devassidão. Byron morreu em 19 abril de 1824, em decorrência de uma convulsão.

Creio que Lord Byron foi uma das poucas pessoas que viveram o conceito da palavra libertinagem em sua plenitude.


GERAÇÃO BYRONIANA

O poeta influenciou toda uma geração byroniana, marcada pela profunda melancolia, o desespero e o sonho. No Brasil, o poeta teve grande influência sobre Álvares de Azevedo, que ficou conhecido como o “Byron Brasileiro”, muitos o proclamavam como o “poeta-século”. Goethe o considerava “o maior engenho poético do século”.

Para finalizar este post, deixo abaixo o poema “Não mais passearemos” que considero o mais belo de toda a sua obra, pois é cheio de lirismo e romantismo. Porque falar de Lord Byron é falar daquele que foi o mais romântico dos ultrarromânticos.



Não mais passearemos

Então, não mais passearemos
Assim tão tarde, pela noite afora,
Embora o coração ainda esteja apaixonado
E a lua continue a brilhar.

Pois a espada dura mais que a bainha,
A alma consome o peito,
O coração precisa tomar fôlego
E o amor descansar.

A noite foi feita para amar
E o dia volta cedo demais,
Contudo, não mais passearemos
À luz do luar.

Lord Byron

domingo, 20 de setembro de 2009

La Dame aux Camélias



Finalizada a leitura do romance que considero o clássico dos clássicos do romantismo: A Dama das Camélias, autoria de Alexandre Dumas Filho.


O romance se passa na Paris do século XIX, retratando a vida da qual considero a primeira demi-mondaine da literatura: Marguerite Gautier.


O livro narra a história de amor de Marguerite Gautier e Armand Durval, mostrando como as diferenças sociais dificultam a concretização do amor.


Ponto para reflexão: Como a posição social da família que nascemos irá influir nos nossos relacionamentos e no nosso destino? O amor de Marguerite Gautier e Armand Duval é separado pela moral burguesa representada pela figura de Georges Duval, pai de Armand Duval. E para terminar a história, a morte da protagonista Marguerite Gautier, vitimada pela tuberculose, põe fim ao grande amor.




Outro ponto é a questão da morte. Como o romance é considerado uma obra romântica, a morte não é vista com tristeza, pois só por meio dela conseguimos nos elevar para o verdadeiro amor.


Para o romântico, o amor que não é concretizado no plano material o será no plano espiritual. Sendo assim, a morte é bem-vinda, a elevação ao amor mais puro. O que seria do amor na vida perante a eternidade do amor na morte?


O porquê do nome “A Dama das Camélias?” Segundo o livro, Marguerite Gautier sempre ia ao teatro e aos bailes com um binóculo, uma bolsa com bombons e um buquê de camélias, brancas ou vermelhas. Nunca ela foi vista com outro tipo de flor em suas mãos, desse modo a sua florista a apelidou “A Dama das Camélias” e este nome a marcou.


La Véritable “La Dame aux Camélias”/ A Verdadeira “A Dama das Camélias”

Alphonsine Plessis

Alphonsine Plessis, demi-mondaine, mais conhecida pelo nome de Marie Duplessis, descrita como uma bela mulher: alta, magra, de longos cabelos negros e com um rosto pálido e rosado. Alphonsine Plessis foi amante de Alexandre Dumas Filho e morreu aos 23 anos de tuberculose, logo após receber a notícia de sua morte, o autor publica: “A Dama das Camélias”.



Alphonsine Plessis está enterrada no Cemitério de Montmatre a alguns metros da tumba de Alexandre Dumas Filho.


Un Roman Immortel/ Um Romance Imortal


Após o sucesso do romance foi feita uma adaptação para o teatro pelo próprio autor, além das inúmeras adaptações para o cinema e o balet. A adaptação para o teatro que teve como protagonista a atriz Sarah Bernhardt deu notoriedade para a artista e é considerado seu papel mais marcante.




O romance serviu ainda de inspiração para Giuseppe Verdi compor a ópera “La Traviata” e recentemente inspirou Baz Luhrmann para escrever e dirigir o filme "Moulin Rouge".


As personagens Marguerite Gautier (A Dama das Camélias), Violetta Varéry (La Traviata) e Satine (Moulin Rouge) proveem da mesma fonte de Marie Duplessis.



Para finalizar este post uma passagem interessante do livro:


“Marguerite Gautier não tinha nenhuma razão de fingir um amor que ela não sentia, e eu digo que as mulheres também têm duas maneiras de amar que podem resultar de uma ou de outra: elas amam com o coração ou com os sentidos. Freqüentemente uma mulher toma um amante para obedecer unicamente à vontade dos seus sentidos, e aprende sem esperar o mistério do amor imaterial e não vive mais unicamente pelo seu coração”.


Alexandre Dumas Filho




N.A.

Como frequentemente uso o termo demi-mondaine neste blog, resolvi, caro leitor, explica-lo abaixo:

(Demi-mondaine: termo que surgiu na literatura francesa no século XIX, para retratar as mulheres entretenidas, as quais circulavam no grand-monde, por isso, demi-mondaine. Ao contrário das cortesãs que tinham vários amantes, as demi-mondaines tinham apenas um amante, normalmente rico e oriundo da aristocracia, elas faziam um pacto de fidelidade e em troca desta fidelidade eram sustentadas pelos mesmos e tinham acesso a todo o luxo possível: dinheiro, jóias, peles, vestidos etc.

Normalmente estas mulheres proviam de uma classe média, eram educadas, cultas e dotadas de classe. Muitas vezes, os amantes preferiam a companhia de sua demi-mondaine em ocasiões sociais do que de suas próprias esposas, não era demérito pertencer a esta classe de mulheres, pois para uma mulher de uma classe média era considerado uma elevação do seu status social).